sexta-feira, 30 de maio de 2008
Cai a pena ao de leve, da ave,
Num tom ao ouvido, que me suspira, suave,
Sobrevive a ave à qual pertenço, presa,
Desarmada, sem inimigo, numa luta, indefesa.
Da gaiola chama, na melodia, a morte,
Para o voo livre, ao vento, esplanar,
E ao mundo, de quem dele precisar, levar,
Por quem se tome de peito aberto, forte.
No vai e vem, sente na liberdade, baloiçar,
Vê-se lacrimejar, de olhos fechados, a voar.
Não há barreiras, nas grades, que impeçam,
Os que do alto tombam, e no pedestal tropeçam.
Cai a pena ao de leve, da ave,
E ao ouvido, sussurra, de quem sabe,
Quem queira ouvir, o segredo transmitir,
Só será livre quem em si existir!
2008
sábado, 26 de abril de 2008
Ser Passageiro
Ecos que me rompem o peito
Na verticalidade da atitude
Faço do abismo o meu leito
E da insignificância a magnitude.
Sinto esta força que me eleva
A um paradigma superior
A transcendência da alma que cega
A visão oculta pelo pudor.
O corpo etérico que emana a fonte
Da celestial virtude do ser
Numa caminhada para atravessar a ponte
Até à dimensão que se sente sem se ver.
É esta a viagem de um ser passageiro
O primordial detentor do poder verdadeiro.
2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Estrela que brilhas no céu
Diz-me o porquê de existir
Regras forçadas pelo passado
E não pelo futuro que há-de vir.
Diz-me o que vês daí de cima,
O que de tão longe consegues vêr
E eu de tão perto nada descubro.
Fujo das perseguições,
E perseguem-me com elas.
Não há culpados, não os há!
Mas só pergunto porquê (?)
Porquê os "porquês"?
Não deixes de brilhar no escuro,
Ensina-me a ver o que vês,
Ensina-os a acreditar no futuro,
E explica-me o porquê dos "porquês"!
1997
quinta-feira, 24 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Completamente alheio ao que me rodeia
Escondido dos olhares ficticios
Continuo a ser perseguido
Pela mesma imagem, pela mesma sombra
Não pertenço a isto, não sou disto!
E a minha origem continua a chamar-me
Continua a puxar-me para o logos.
Lá! Não sei! Não sei! Não sei!
Não tenham medo, não tenham pena!
1996
terça-feira, 22 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Um homem passava
Na rua ao luar
Um cão uivava
Outro a ladrar
Um sonho voava
Na noite vazia
Cheirava a medo
Já não era cedo
Era hora de terror
Deixara o amor
Como um gato a miar
Gritos e gemidos
Perdeu os sentidos
Já não sabia amar
Recusou os pedidos
De uma boca amarela
Fugia e queria
Perder a mania
De matar por ela
Gato preto que seduz
Uma galinha na cruz
Levantou assim a mão
E no brilhar do luar
Pediu então perdão
Destroçado o coração
Que deixara de sonhar
Uma seta directa
Cuspida pelo fogo
E pelas costas foi
Apunhalado de novo.
1996
sábado, 19 de abril de 2008
We used to be like two children
Sharing their innocent desire
Our love was strong like wood
But now burns in a big fire.
I look around me
And there is no one here
I don´t understand why
Why you disappeared
The bird won´t sing anymore
Your flowers are now petals and thorns
I don´t know what to fight for
Because, like everything, our love gones.
I just want one reason
This time i will not stand
I want to know if it is just a season
Or if you run to another man.
1994
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