sábado, 15 de novembro de 2008

Quem és, eu não sei,
Quem eu sou, tão pouco,
Senão mais que um pobre louco
Tentando viver à margem,
Sem ordem, regra ou lei.

Despertas em mim o desejo
Utópicamente criado
Por um sonho platónico.
Imagino esse teu corpo molhado
Pela espuma desse mar gelado,
E na areia, a marca...
De uma silhueta abandonada.

Ouço-te sem ouvir
Vejo-te sem te ver,
E imagino como será o depois,
De te conhecer...

Quem és? Eu não sei!
Quem eu sou? Tão pouco!
Mas gostava...

2008

sábado, 1 de novembro de 2008

Trago em mim este...
Ser de vidas passadas.
Carrego em mim, não sei...
Talvez, outrora desencontradas.

Busco a resposta à qual...
Nem sequer tenho pergunta.
Corro atrás de quem afinal?
Se o perseguido ao perseguidor se junta!

Não sei quem fui ou possa ter sido
Nem sequer se hoje sou parecido,
Se alguma vez o serei!? Sei lá!
Alguém sabe o que vou ser amanhã?

Será que fui o que sou?
Será que sou o que quis ser?
Alguém sabe para onde vou?
Será que alguma vez irei morrer??

2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Faço o que a minha consciência me mandar!
Actos de medo, aventura e coragem.
Vou para onde o pensamento me levar
Onde só avisto uma miragem.

Porém a consciência perdeu-se,
E a luz deixou de existir,
Tudo o que estava no seu lugar moveu-se
E a esperança, essa, deixei-a partir.

Ando perdido, sozinho, a vaguear no vazio,
Ando em voltas sem fim, no escuro, num caminho que não se define.
Nú, despojado, abraço-me e protejo-me do frio
E procuro a luz que me guie, que me aqueça, que me ilumine!

1994

sexta-feira, 30 de maio de 2008


Cai a pena ao de leve, da ave,
Num tom ao ouvido, que me suspira, suave,
Sobrevive a ave à qual pertenço, presa,
Desarmada, sem inimigo, numa luta, indefesa.

Da gaiola chama, na melodia, a morte,
Para o voo livre, ao vento, esplanar,
E ao mundo, de quem dele precisar, levar,
Por quem se tome de peito aberto, forte.

No vai e vem, sente na liberdade, baloiçar,
Vê-se lacrimejar, de olhos fechados, a voar.
Não há barreiras, nas grades, que impeçam,
Os que do alto tombam, e no pedestal tropeçam.

Cai a pena ao de leve, da ave,
E ao ouvido, sussurra, de quem sabe,
Quem queira ouvir, o segredo transmitir,
Só será livre quem em si existir!

2008

sábado, 26 de abril de 2008

Ser Passageiro


Ecos que me rompem o peito
Na verticalidade da atitude
Faço do abismo o meu leito
E da insignificância a magnitude.

Sinto esta força que me eleva
A um paradigma superior
A transcendência da alma que cega
A visão oculta pelo pudor.

O corpo etérico que emana a fonte
Da celestial virtude do ser
Numa caminhada para atravessar a ponte

Até à dimensão que se sente sem se ver.
É esta a viagem de um ser passageiro
O primordial detentor do poder verdadeiro.

2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008


Estrela que brilhas no céu
Diz-me o porquê de existir
Regras forçadas pelo passado
E não pelo futuro que há-de vir.
Diz-me o que vês daí de cima,
O que de tão longe consegues vêr
E eu de tão perto nada descubro.
Fujo das perseguições,
E perseguem-me com elas.
Não há culpados, não os há!
Mas só pergunto porquê (?)
Porquê os "porquês"?
Não deixes de brilhar no escuro,
Ensina-me a ver o que vês,
Ensina-os a acreditar no futuro,
E explica-me o porquê dos "porquês"!

1997

quinta-feira, 24 de abril de 2008


A Lágrima, a Água,
Duas purezas tão distantes,
Uma escorre sem correr,
Outra mata sem saber.
Transparentes sem deixar transparecer
Emoções dificeis de conter.
Ama-me como eu te amo,
Vive como eu vivo,
Aprende, ensina-me e eu sigo!

1997

quarta-feira, 23 de abril de 2008


Completamente alheio ao que me rodeia
Escondido dos olhares ficticios
Continuo a ser perseguido
Pela mesma imagem, pela mesma sombra
Não pertenço a isto, não sou disto!
E a minha origem continua a chamar-me
Continua a puxar-me para o logos.
Lá! Não sei! Não sei! Não sei!
Não tenham medo, não tenham pena!

1996

terça-feira, 22 de abril de 2008


Eu, cúmulo,
Vagueio e devaneio
Pelo trilho equilibrado
Descentrado , acidentado,
Mas continuo, sem porém
Tropeçar, mas quando a
Queda se der, será para
Morrer, apodrecer e esquecer!!!
Não tenham pena!!
Mas por favor não se esqueçam...!!!

1998

segunda-feira, 21 de abril de 2008


Um homem passava
Na rua ao luar
Um cão uivava
Outro a ladrar
Um sonho voava
Na noite vazia
Cheirava a medo
Já não era cedo
Era hora de terror
Deixara o amor
Como um gato a miar
Gritos e gemidos
Perdeu os sentidos
Já não sabia amar
Recusou os pedidos
De uma boca amarela
Fugia e queria
Perder a mania
De matar por ela
Gato preto que seduz
Uma galinha na cruz
Levantou assim a mão
E no brilhar do luar
Pediu então perdão
Destroçado o coração
Que deixara de sonhar
Uma seta directa
Cuspida pelo fogo
E pelas costas foi
Apunhalado de novo.

1996